Madeira

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Véspera de Reis

A chegada do ano novo indicia também o fim das festividades de Natal.

Existem, no entanto, duas manifestações ainda associadas à época. A primeira é na noite de 5 para 6 de Janeiro. É o cantar dos Reis.

Comemorando a chegada dos Reis Magos a Belém, formam-se grupos que vão de casa em casa, tocando e cantando. Em muitos casos, os forasteiros são convidados a entrar e a “tomar um copo”.

A tradição chegou a entrar em desuso, mas nos últimos tempos tem sido reavivada um pouco por toda a Região Autónoma.

Na Madeira, em geral a letra é esta:

Eu venho cantar os Reis,

Pela folhinha da vinha

Senhor, abra-me a porta

Que eu quero ver a lapinha

Para muitos a “Festa” terminou a 6 de Janeiro, mas em alguns lares madeirenses a lapinha e o pinheiro só são desmontados a 15 de Janeiro. É o dia de Santo Amaro, também conhecido, pelo povo, como o dia de “varrer os armários”. Fazem-se as últimas visitas da “Festa” para acabar com o que ainda restou do Natal.

As Missas do Parto são uma das tradições do Natal Madeirense. Nesse sentido, a Rádio Cantinho da Madeira irá transmitir a Missa do Parto a partir da Paróquia da Visitação, em Santo António.

Missas do Parto

Apesar de serem uma tradição secular, as “Missas do Parto” continuam a ser uma das maiores manifestações da religiosidade popular. É uma tradição particular da Ilha que, regra geral, começa de madrugada e termina por volta do nascer do sol. Têm início a 15 ou 16 de Dezembro (varia de paróquia para paróquia) e terminam a 24 de Dezembro. Nem o frio nem a chuva das manhãs de Inverno demovem os fiéis das novenas que se destinam a invocar os nove meses de gravidez da Virgem Maria.

Era também tradição as pessoas se reunirem em vários grupos (de acordo com os sítios) e, a caminho da igreja, iam cantando e tocando às campainhas para, desta forma, aumentar a romaria.

As Missas do Parto continuam a registar forte participação de fiéis, quer no seu ritual religioso, com entoações de cânticos antigos, quer na parte lúdica, com convívios nos adros das igrejas, onde não faltam os comes-e-bebes e a música de cariz popular.

Em todas as paróquias da Madeira e Porto Santo, as Missas do Parto terminam com um cântico que perdura de geração em geração, cujo refrão aqui recordamos:

Virgem do Parto, oh Maria,

Senhora da Conceição,

Dai-nos as festas felizes,

A paz e a salvação.

Função do Porco

A função do porco é um dos primeiros momentos do Natal Madeirense. Acontece, geralmente, a partir do dia 8 de Dezembro (Dia da Imaculada Conceição).

No meio rural, o suíno é criado, durante alguns meses, num chiqueiro junto à habitação. O animal alimenta-se de restos de comida diária, a chamada “boragem” e de uma mistura de farelo (rolão).

A tradição surge associada à subsistência das famílias e não a nenhum ritual. Em tempos, a carne obtida nesta altura era a única que a família consumia ao longo do ano. Actualmente, a matança do porco serve sobretudo para reunir amigos e familiares.  

Todas as partes do porco são aproveitadas.  

O sangue cozido é levado à frigideira e muitas vezes consumido logo após a matança.  
Outras partes do animal são preparadas para a refeição do Dia de Natal (em particular a tradicional carne de vinho-e-alhos.)

Fazem-se também enchidos ou salga-se alguma carne para outras épocas do ano (recorde-se que a salga era um dos poucos métodos de conservação dos alimentos).

A Matança do Porco termina já pela noite dentro com cantares típicos da quadra.

Tangerinas do Natal

A tangerina é um dos frutos carateristicos da época natalícia. O aroma e o sabor distinguem a tangerina regional das importadas. Só chegam ao mercado no final de novembro e muitas vezes apenas em dezembro. Regra geral são vendidas com as folhas junto ao fruto. 

É comum colocar-se tangerinas na tradicional "lapinha em escadinha" juntamente com outros frutos da época. 

A tangerina é também apreciada sob a forma de licor caseiro. A preparação é simples. As cascas de cor amarelo-esverdeadas são colocadas em infusão no álcool ou aguardente durante uns dias. Passado esse período a infusão (depois de coada) é adicionada a uma calda de água e açúcar (em proporções iguais), previamente preparada. 

Este fruto típico do Natal Madeirense é também utilizado na produção da tradicional Poncha.

As tangerinas regionais podem ser compradas nas bancas de venda ambulante espalhadas pela cidade, com preços a variar entre os 3 e os 5€ por cada quilo.

A tangerineira é cultivada em toda a região embora com maior incidência nos concelhos do Funchal, Santa Cruz, Câmara de Lobos e Ribeira Brava.

Emissão Natal

A Rádio Cantinho da Madeira vai estar esta sexta-feira, dia 18 de dezembro, em direto do Restaurante Panorâmico Oceano, em São Vicente.

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