As fajãs são pequenas plataformas de terreno situadas junto ao mar, geralmente formadas por derrocadas ou pela acumulação de materiais provenientes das encostas. Na Madeira, estas áreas distinguem-se pela sua elevada fertilidade, pelo microclima favorável à agricultura e pela beleza paisagística, constituindo um importante património natural e cultural do arquipélago.
Ao longo da costa madeirense existem várias fajãs, muitas delas resultantes de grandes movimentos de terras que, ao longo dos séculos, conquistaram espaço ao mar. Um dos exemplos mais recentes ocorreu na freguesia do Arco de São Jorge, onde uma derrocada deu origem a uma nova fajã de pequenas dimensões.
Um tesouro aos pés do Cabo Girão
As Fajãs do Cabo Girão, também conhecidas como Fajã do Cabo Girão e Fajã do Rancho, são um dos ex-líbris naturais do concelho de Câmara de Lobos. A sua origem está associada a um grande desmoronamento ocorrido na década de 1930, que criou uma extensa plataforma agrícola na base da imponente falésia do Cabo Girão.
Graças ao clima ameno e à fertilidade dos solos, as fajãs são utilizadas há várias gerações para o cultivo de produtos agrícolas. Entre as principais culturas destacam-se a batata-doce, a banana, a vinha, diversos produtos hortícolas e árvores de fruto. Os agricultores locais defendem que o microclima existente permite obter colheitas mais precoces e produtos de elevada qualidade.
Os tradicionais socalcos madeirenses, cuidadosamente construídos ao longo das encostas, completam uma paisagem singular que atrai fotógrafos, caminhantes e amantes da natureza.
Como chegar
Durante muitos anos, o acesso às fajãs era feito exclusivamente por mar ou através de íngremes veredas.
Em 2003 entrou em funcionamento o Teleférico do Rancho, construído sobretudo para apoiar a atividade agrícola e facilitar o transporte de pessoas e mercadorias entre o topo da arriba e os terrenos agrícolas.
O teleférico parte do sítio do Rancho, em Câmara de Lobos, e realiza uma descida com cerca de cinco minutos, proporcionando uma experiência única sobre uma das falésias mais impressionantes da Europa. Ao longo do percurso é possível admirar a imensidão da escarpa, o oceano Atlântico e os campos agrícolas instalados junto ao mar.
Além do apoio aos agricultores, o teleférico é atualmente uma importante atração turística, sendo utilizado diariamente por visitantes e residentes.
Existe igualmente um antigo trilho pedestre de acesso às fajãs. Contudo, devido às frequentes derrocadas e ao risco associado, a sua utilização não é recomendada, devendo os visitantes optar pelo teleférico.
Nas fajãs, os visitantes encontram um ambiente de grande tranquilidade, ideal para passeios, fotografia e para desfrutar das águas cristalinas da costa sul da Madeira.
Miradouro do Cabo Girão
A poucos metros da estação superior do teleférico encontra-se o Miradouro do Cabo Girão, um dos locais mais visitados da Madeira.
Situado a cerca de 580 metros de altitude, sobre uma das mais altas arribas costeiras da Europa, oferece uma vista panorâmica privilegiada sobre as fajãs, o oceano Atlântico, Câmara de Lobos e a baía do Funchal.
Em 2012 foi inaugurada a famosa plataforma suspensa em vidro (Skywalk), que permite aos visitantes caminhar sobre o precipício e observar a escarpa na vertical, proporcionando uma experiência única e uma das imagens mais emblemáticas da Madeira.
O Cabo Girão é também um local de referência para a prática de desportos de aventura, como o parapente e o BASE jumping, beneficiando das excelentes condições naturais da arriba.
Entre os episódios mais marcantes da história recente do miradouro destaca-se o espetacular salto de motociclo protagonizado pelo paraquedista Mário Pardo, em maio de 2005, uma façanha que ficou registada na memória de muitos madeirenses.
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