Falar do Porto Santo é falar da sua praia de areia dourada, do clima ameno e, inevitavelmente, das famosas Lambecas do Porto Santo, um dos maiores símbolos gastronómicos da ilha. Há mais de seis décadas que estes gelados artesanais fazem parte da tradição portossantense, conquistando gerações de residentes e visitantes que regressam ano após ano para reviver um sabor verdadeiramente único.
As Lambecas abriram ao público a 6 de junho de 1958, pelas mãos do empreendedor José Reis, tornando-se rapidamente uma referência obrigatória para quem visita a ilha. O pequeno quiosque, situado no centro de Vila Baleira, transformou-se ao longo dos anos num autêntico ponto de encontro e num local de passagem quase obrigatória depois de um dia de praia.
Apesar da enorme popularidade, a receita continua envolta em segredo. Pouco se conhece sobre a forma como os gelados são confecionados, mantendo-se a tradição e o saber transmitidos ao longo das gerações. É precisamente esse segredo que lhes confere um sabor inconfundível, diferente de qualquer outro gelado disponível no mercado.
Atualmente, as Lambecas disponibilizam 16 sabores, desde os clássicos baunilha, chocolate ou morango até combinações mais originais, agradando aos mais diversos paladares. Servidos no tradicional cone de bolacha, os gelados distinguem-se pela textura cremosa e pelo sabor intenso, características que fazem com que muitos visitantes regressem mais do que uma vez durante a sua estadia.
É sobretudo ao final da tarde e durante a noite que o movimento atinge o seu auge. Nos meses de verão, formam-se longas filas junto ao quiosque, onde residentes e turistas aguardam pacientemente pela sua vez. Nos dias de maior afluência, o tempo de espera pode variar entre 20 e 30 minutos, uma espera que, segundo muitos clientes habituais, vale sempre a pena.
As Lambecas são apreciadas por pessoas de todas as idades e fazem parte das melhores memórias de férias de milhares de visitantes. Para muitos turistas, provar este gelado tornou-se uma tradição tão obrigatória como caminhar pelos nove quilómetros da praia do Porto Santo ou contemplar o pôr do sol sobre o Atlântico.
Ao longo das décadas, a fama das Lambecas espalhou-se sobretudo através do tradicional “passa-palavra”. A expressão “Vai uma lambeca?” tornou-se habitual entre familiares e amigos, sendo frequentemente o convite perfeito para terminar um dia de calor junto ao mar.
Em fevereiro de 2024, o fundador José Reis faleceu, deixando um legado profundamente enraizado na identidade da ilha. O seu espírito empreendedor, dedicação e simpatia continuam presentes na memória de todos os que o conheceram.

Como forma de homenagem, a família preparou uma singela evocação que pode ser apreciada na parede do histórico espaço comercial. O negócio permanece nas mãos da família, mantendo vivo o compromisso de preservar a receita, a qualidade e o atendimento que sempre distinguiram as Lambecas.
Mais de 65 anos depois da sua fundação, o pequeno quiosque continua de portas abertas, fiel ao lema que José Reis tanto prezava: servir lambecas com um sorriso. Hoje, tal como em 1958, cada gelado representa não apenas um sabor único, mas também uma parte importante da história, da cultura e das tradições da Ilha do Porto Santo.
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