Furão bebé encontrado morto no Caniçal

Um furão bebé foi encontrado morto na freguesia do Caniçal, na Madeira.

A fotografia do animal foi posteriormente publicada nas redes sociais, onde rapidamente gerou reações e comentários.

De imediato, vários internautas afirmaram já ter avistado furões em diferentes pontos da ilha, dando conta da presença destes animais em liberdade em várias localidades.

Até ao momento, não são conhecidas as circunstâncias que terão provocado a morte do exemplar encontrado no Caniçal.

Furões existem em estado selvagem na Madeira

Segundo a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o furão (Mustela furo) é uma espécie introduzida na Madeira, estando atualmente presente em estado selvagem.

A SPEA explica que a introdução do furão no arquipélago remonta à Época dos Donatários, entre cerca de 1425 e 1440, estando relacionada com a caça ao coelho.

Os animais eram utilizados para entrar nas tocas e fazer sair os coelhos.

Ao longo do tempo, alguns furões terão escapado ou sido libertados, adaptando-se ao meio natural e estabelecendo populações em liberdade.

Uma espécie considerada invasora

A presença do furão é motivo de preocupação para a conservação da biodiversidade madeirense. Por ser um predador introduzido, pode exercer pressão sobre espécies nativas, particularmente sobre aves que nidificam no solo ou em locais vulneráveis.

A SPEA destaca ainda o impacto que estes predadores podem ter sobre as aves marinhas, nomeadamente a cagarra, através da predação de ovos e crias ou da perturbação das colónias de nidificação.

A organização tem desenvolvido ações de monitorização no âmbito do projeto BESTLIFE2030 STOP Predators, tendo sido identificados sinais da presença de furões em zonas de nidificação e evidências de predação.

Dois furões apreendidos no Aeroporto da Madeira em 2024

A presença e circulação destes animais na Região Autónoma da Madeira já motivou também uma intervenção das autoridades.

A GNR, através do Comando Territorial da Madeira, da Secção de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) e do Posto Fiscal do Aeroporto do Funchal, apreendeu dois furões no dia 4 de julho de 2024, no Aeroporto Internacional da Madeira.

Segundo a Guarda Nacional Republicana, os animais foram apreendidos por introdução irregular de animais de companhia pertencentes a espécies incluídas na Lista Regional de Espécies Invasoras na Região Autónoma da Madeira.

A operação foi realizada em coordenação com o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) e resultou na elaboração de um auto de contraordenação.

A pessoa identificada pelas autoridades era uma mulher de 48 anos, que viajava desde Frankfurt, na Alemanha.

Mulher ficou como fiel depositária dos animais

A suspeita foi notificada para regularizar a situação junto do IFCN no prazo de 48 horas, tendo ficado nomeada fiel depositária dos dois espécimes apreendidos.

A GNR recordou, na altura, que a introdução de determinadas espécies de animais exóticos na Região Autónoma da Madeira está sujeita a autorização e às regras previstas no Decreto Legislativo Regional n.º 17/2023/M, de 11 de abril, na sua redação atual.

As autoridades recomendam, por isso, que qualquer pessoa que pretenda introduzir na Madeira espécies exóticas da fauna ou flora procure previamente esclarecimentos junto das entidades regionais competentes, nomeadamente o IFCN.

Avistamentos nas redes sociais levantam novas questões

O caso do furão bebé encontrado morto no Caniçal volta agora a chamar a atenção para a presença destes animais na ilha.

A fotografia, divulgada nas redes sociais, rapidamente desencadeou relatos de alegados avistamentos em diferentes locais da Madeira, embora esses testemunhos não constituam, por si só, uma confirmação científica da distribuição atual da espécie.

A situação recorda, contudo, que a presença de predadores introduzidos constitui uma questão relevante para a conservação da fauna e flora da Madeira.

A GNR mantém ainda o apelo à denúncia de situações relacionadas com maus-tratos, abandono ou outras infrações envolvendo animais.

Para denúncias ou esclarecimentos ambientais, a Guarda disponibiliza a Linha SOS Ambiente e Território, que funciona em permanência.

Créditos: Miguel Ayres (foto)

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