A Rua Direita, no centro do Funchal, é uma das artérias mais antigas e históricas da cidade. Nos primórdios do povoamento da Madeira, assumiu-se como um dos principais eixos urbanos e comerciais da então povoação, seguindo a tradicional designação portuguesa de “Rua Direita”.
A rua tinha início junto ao Largo do Pelourinho, uma zona que, nos primeiros tempos da cidade, concentrava importantes atividades administrativas e comerciais, incluindo a antiga Alfândega e várias feitorias. No século XVI, o seu percurso atravessava a Ribeira de Santa Luzia e prolongava-se até à zona da atual Rua dos Ferreiros.
Durante séculos, a Rua Direita esteve ligada à dinâmica comercial do Funchal, sendo conhecida pela presença de mercadores, vendedeiras e pelo movimento de pessoas junto ao mar e ao calhau. Era uma verdadeira artéria de comércio e de circulação, com um papel importante na vida quotidiana da cidade.
Hoje, o percurso da Rua Direita é bastante mais curto, mantendo, contudo, a sua importância histórica e patrimonial. É uma zona frequentada diariamente por residentes, trabalhadores e turistas que procuram conhecer o centro histórico do Funchal.
É precisamente neste cenário, entre edifícios históricos, comércio e circulação turística, que contrasta um problema que se tornou recorrente: o forte cheiro a urina que se faz sentir em vários momentos do dia.
O mau odor, particularmente intenso em períodos de calor, é apontado por quem frequenta a zona como uma presença praticamente permanente. Ao longo dos anos, a concentração de pessoas em situação de sem-abrigo naquela área terá contribuído para agravar as condições de higiene, com alguns pontos da rua a serem frequentemente associados ao cheiro intenso a urina.
Para quem vive ou trabalha na zona, o problema não é novo. Para os turistas, que percorrem aquela rua integrada no centro histórico da cidade, a situação acaba por constituir uma imagem pouco agradável de um espaço com enorme valor histórico.
A questão vai, contudo, muito além do simples incómodo causado pelo mau cheiro. Envolve a limpeza e manutenção do espaço público, a existência de condições sanitárias adequadas e, simultaneamente, a necessidade de respostas sociais para as pessoas que vivem em situação de sem-abrigo.
A Rua Direita carrega séculos de história e foi, durante muito tempo, uma das principais artérias do Funchal. Hoje, continua a receber diariamente residentes e visitantes, mas vê a sua imagem condicionada por um problema que persiste e que muitos consideram merecer uma resposta mais eficaz.
Entre a história e o turismo, permanece uma realidade incómoda: uma das ruas mais antigas do Funchal é também, para muitos dos que a frequentam, uma das zonas mais marcadas pelo cheiro a urina.
FOTO: Lourenço Araújo
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