A Polícia Judiciária alertou para uma nova burla em expansão no meio digital, em que criminosos tomam o controlo de contas pessoais de WhatsApp e, fazendo-se passar pelo titular, pedem dinheiro aos contactos da sua rede de confiança.
De acordo com a PJ, cada conta invadida desencadeia um efeito em cadeia, com um número elevado de vítimas.
Como funciona o esquema
A mensagem chega de um contacto conhecido, com o nome e a fotografia de um amigo ou familiar. A conversa começa com assuntos banais do dia a dia e, pouco depois, surge um pedido urgente: um empréstimo, o pagamento de uma despesa ou um favor pontual, “só desta vez”.
O objetivo, sublinha a PJ, é aproveitar a relação de confiança e um canal de comunicação já existente entre as pessoas.
Acesso à conta pode acontecer sem que o utilizador se aperceba
A PJ avisa que o nome e a fotografia no WhatsApp não provam quem está realmente a escrever. O acesso às contas pode ocorrer sem que o titular dê por isso: através de vulnerabilidades (CVE) em sistemas Apple e no próprio WhatsApp, é possível, em certas circunstâncias, realizar ataques sem que a vítima tenha de clicar em nada.
Segundo o alerta, estas falhas, detetadas em 2025 e 2026, foram inicialmente usadas em ataques dirigidos com spyware e, mais tarde, reaproveitadas em burlas por usurpação de identidade.
Encriptação não chega
Apesar de as comunicações continuarem encriptadas, os criminosos exploram falhas nos equipamentos desatualizados que as processam. Por isso, a PJ sublinha que manter o sistema operativo atualizado é tão importante como a encriptação.
A polícia deixa ainda um aviso final: nenhuma plataforma ou comunicação digital garante, por si só, que o interlocutor é quem se pensa que é.
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