O sacerdote de 35 anos colocou termo à vida .
Desde logo, surgiram milhares de comentários muitos deles no seio da Igreja Católica.
Uma das mensagens mais partilhadas é afirmada que “ a morte de um padre por suicídio é uma dor imensa e, ao mesmo tempo, um grito silencioso que a Igreja não pode ignorar ”, afirmou o Padre Chrystian Shankar .
Os motivos do suicídio levam muitos padres madeirenses a alertar para o lado menos visível da vida sacerdotal.
O Cónego Manuel Martins escreve na sua página pessoal no Facebook que:
" Não foi por falta de fé.
Não foi por falta de oração.
Foi porque o peso que carregava dentro de si era demais.
Porque o coração que tanto dava, já não encontrou espaço para respirar.
Porque a solidão, às vezes, é mais forte do que a esperança.
Muitos olham o padre e vêem a batina, o rito, a presença junto ao altar.
Mas poucos conseguem ver o homem cansado por trás das vestes.
Vê-se o altar, sim. Mas não se vê o coração ferido que ali serve, tantas vezes em silêncio, tantas vezes em lágrimas escondidas.
O padre não é de ferro.
É carne e osso.
É emoção e dor.
Ama, sofre, chora.
Sente a dureza da crítica injusta, a crueldade da humilhação, a frieza das palavras que julgam sem conhecer.
Sente o abandono de quem o desvia acolheu, e a mentira que, disfarçada de verdade, lhe roubou a dignidade. "
O padre José Luís Rodrigues na rubrica "Escrever na água" questiona.
"Por que um padre se suicidou?
A resposta é fácil, porque é um ser humano.
Tem momentos de glória e momentos de fracassos como qualquer ser humano.
Mas está complementado que não deve ser assim.
O padre é um ser à parte. Tem que ser forte permanentemente.
Não pode falhar. Não pode ficar cansado. Não posso dizer não.
Sempre deve dizer sim e deve estar sempre de acordo com o que os outros desejam ou pensam, mesmo que sejam pensamentos e desejos estapafúrdios.
Não pode ter vida própria. Pois, o padre não é um ser humano, fez dele uma condição própria, está numa terceira via fora daquilo que constitui a humanidade, masculino e feminino, a sua condição passou a ser a de padre.
Quando um pai se suicida, dobram todos os sinos. Menos da instituição, porque essa é superior a tudo. E não tardarão os dedos apontados das acusações contra a vítima, foi um fraco, não se deixou ajudar", escreve.
Crescente ainda que já viu “este filme algumas vezes entre nós na instituição Diocese do Funchal”.
Avança também que a "desumanidade é enorme. O mar de gente é enorme para julgar e concluir que tudo foi feito, mas o prejudicado foi ele que não atingiu a «igreja de santa madre» que é como uma «mãe cheia de amor» dizem. Mães destas o inferno devem estar cheias", remata.