Um sismo de magnitude 7,1 atingiu a Venezuela no dia 24 de junho de 2026, provocando forte alarme na população e sendo sentido em várias regiões do país, sobretudo na zona norte e na capital, Caracas. O epicentro foi registado na área de Morón, no estado de Carabobo, a pouca profundidade, o que fez com que o tremor fosse particularmente intenso à superfície.
O abalo sísmico levou milhares de pessoas a sair para as ruas em busca de segurança, enquanto vários edifícios sofreram danos, incluindo fissuras em paredes, queda de elementos de fachadas e, em alguns casos, danos estruturais mais graves. Também foram registadas falhas temporárias no fornecimento de eletricidade e nas comunicações em diferentes localidades.
As autoridades ativaram de imediato equipas de emergência para avaliar os estragos e prestar apoio às populações afetadas, ao mesmo tempo que alertaram para a possibilidade de réplicas nas horas seguintes. Apesar da intensidade do sismo e do impacto sentido em várias cidades, não foram inicialmente confirmados números elevados de vítimas.
O evento gerou ainda preocupação em países vizinhos e levou à emissão de alertas preventivos no mar das Caraíbas devido ao risco de alterações no nível do mar. O sismo é considerado um dos mais fortes registados recentemente na região, sublinhando a elevada atividade sísmica da Venezuela e a importância de medidas de prevenção e resposta a desastres naturais.
Presidente da República acompanha a situação
O Presidente da República Portuguesa manifestou profunda consternação perante o forte sismo que atingiu o país, acompanhando com grande preocupação a evolução da situação no terreno.
Num momento ainda marcado por incerteza, o Chefe de Estado expressou uma mensagem de solidariedade e esperança dirigida ao povo venezuelano, aos cidadãos portugueses residentes na Venezuela e às autoridades da República, sublinhando o apoio perante os efeitos do desastre natural e a necessidade de união face às consequências do abalo sísmico.
Venezuela acolhe milhares de madeirenses
A presença portuguesa na Venezuela, com forte destaque para a comunidade madeirense, constitui uma das mais significativas diásporas europeias no país e tem desempenhado um papel importante na vida económica e social venezuelana ao longo das últimas décadas.
A emigração portuguesa para a Venezuela intensificou-se a partir da década de 1940 e prolongou-se até aos anos 80, motivada por dificuldades económicas em Portugal e por políticas venezuelanas favoráveis à imigração. A maioria dos emigrantes era oriunda da Madeira, mas também chegaram muitos do continente português, sobretudo dos distritos de Aveiro e Porto. Estima-se que a comunidade portuguesa e luso-descendente possa ultrapassar várias centenas de milhares de pessoas, sendo uma das maiores da América Latina.
A comunidade madeirense representa a grande maioria desta presença portuguesa, tendo-se concentrado principalmente em cidades como Caracas, Valencia e Maracaibo. Muitos dos emigrantes dedicaram-se inicialmente à agricultura, mas rapidamente se fixaram no comércio, onde ganharam grande relevância, sobretudo na área alimentar, com supermercados, padarias e mercearias que se tornaram marcas reconhecidas no país.
Ao longo do tempo, os portugueses na Venezuela foram-se integrando na sociedade venezuelana, mantendo simultaneamente laços culturais e familiares com Portugal. Esta integração é frequentemente apontada como uma das características mais marcantes da comunidade, que continua a preservar a língua, tradições e associações próprias, ao mesmo tempo que participa ativamente na economia local.
Nos últimos anos, devido à instabilidade económica e social na Venezuela, verificou-se também um movimento inverso, com muitos luso-venezuelanos a regressarem a Portugal ou a procurarem novas oportunidades, reforçando ainda mais os laços entre os dois países.
Em conjunto, a comunidade portuguesa e madeirense na Venezuela representa um exemplo de forte migração histórica, integração bem-sucedida e continuidade cultural entre o arquipélago da Madeira, Portugal continental e a sociedade venezuelana.
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