Foi em 1948, com apenas 22 anos, que deu início a uma ligação histórica ao Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha. O que começou como uma participação ativa rapidamente se transformou numa dedicação de mais de cinco décadas. Ao longo desse período, Maria Ascensão destacou-se não só como bailadora, mas também como uma figura central na organização, dinamização e crescimento do grupo, ajudando a consolidá-lo como uma referência nacional e internacional.
Conhecida como a “Loira da Camacha”, tornou-se um verdadeiro símbolo da cultura madeirense. A sua presença em palco, marcada pela autenticidade e energia, conquistou públicos dentro e fora de Portugal. Participou em inúmeras digressões internacionais, levando as danças, cantares e trajes tradicionais da Madeira a vários continentes, contribuindo para a projeção cultural da ilha além-fronteiras.
Mais do que intérprete, Maria Ascensão desempenhou um papel essencial na preservação do património imaterial. Foi responsável pela formação de várias gerações de bailadores, transmitindo conhecimentos, técnicas e valores associados ao folclore tradicional. A sua dedicação garantiu que muitas tradições não se perdessem com o passar do tempo, mantendo viva a identidade cultural da região.
Paralelamente à sua atividade cultural, desenvolveu também trabalho ligado às artes tradicionais, nomeadamente na área da costura, onde se destacou pela confeção de vestuário, incluindo trajes típicos e peças cerimoniais. Essa ligação reforçou ainda mais o seu contributo para a autenticidade e preservação do folclore.
Maria Ascensão faleceu em 2001, deixando um legado profundamente enraizado na cultura madeirense. No ano seguinte, em agosto de 2002, foi homenageada a título póstumo com a criação da Gala Internacional do Folclore Maria Ascensão, um evento anual que decorre no Largo da Achada e que reúne grupos de diferentes partes do mundo, promovendo o intercâmbio cultural e celebrando as tradições populares.
Como reconhecimento permanente, foi também inaugurado um busto em bronze à entrada da Casa do Povo da Camacha, da autoria do escultor Nicolau Viana. Este memorial simboliza a importância de uma mulher que dedicou toda a sua vida à cultura, à tradição e à comunidade.
Hoje, Maria Ascensão Fernandes Teixeira é lembrada como uma das maiores figuras do folclore da Madeira — uma referência incontornável na preservação e divulgação da identidade cultural da ilha, cujo impacto continua a fazer-se sentir nas gerações atuais.







