Uma das mais antigas referências às charolas na Madeira remonta a 1843, quando foi publicada, no livro Recollections of Madeira, uma ilustração do desenhador William Springett e do litógrafo Thomas Picken, intitulada The Xerola, onde se observa dois homens transportando, numa vara, uma enorme estrutura esférica adornada com frutos e produtos agrícolas.
Esta tradição mantém-se viva nos nossos dias e ganha especial significado por ocasião das Festas do Divino Espírito Santo. É o caso da festa que se realiza este fim de semana no Loreto, na freguesia do Arco da Calheta, onde a comunidade volta a celebrar um dos momentos mais emblemáticos das suas tradições. Ao longo dos últimos dias, grupos de vários sítios da paróquia dedicaram-se à preparação das suas charolas, decoradas com os produtos da terra e outros elementos característicos, num testemunho do empenho e espírito comunitário que continuam a marcar estas festividades.
No dia da festa, as diferentes charolas serão transportadas em cortejo até ao adro da Igreja do Loreto, centro das celebrações, onde ficarão expostas, preservando uma tradição secular que simboliza a união entre a fé e o trabalho da população. Entre os produtos que tradicionalmente compõem estas estruturas destacam-se as semilhas, batatas-doces, bananas, cenouras, abóboras, cebolas, couves e outras produções agrícolas locais, evidenciando a riqueza da terra e a generosidade das comunidades.
Mais do que um simples elemento decorativo, as charolas representam a identidade cultural madeirense e os valores associados ao Divino Espírito Santo, nomeadamente a fraternidade, a partilha e a ajuda aos mais necessitados, perpetuando uma herança que continua a passar de geração em geração e que, no Loreto, volta a ser vivida com grande devoção e entusiasmo.







