ARAE proíbe venda de pão tradicional no Mercado Agrícola de Santana

A Autoridade Regional das Atividades Económicas (ARAE) realizou recentemente uma ação de fiscalização no Mercado Agrícola de Santana, que resultou na proibição da venda do tradicional pão caseiro, um dos produtos mais emblemáticos do concelho. A operação incluiu ainda a apreensão de outros produtos alimentares, nomeadamente ovos e mel, segundo avançou a RTP - Madeira.

De acordo com a informação divulgada, os inspetores da ARAE estiveram no local a verificar as condições de comercialização dos produtos vendidos por produtores locais. Durante a fiscalização, vários vendedores foram surpreendidos com a apreensão de ovos caseiros e de mel de abelha, produtos habitualmente comercializados no mercado e que fazem parte da tradição agrícola da região. Segundo relatos dos próprios vendedores, os ovos apreendidos “foram partidos pelos inspetores”, situação que gerou indignação e desconforto entre quem ali trabalha há anos.

O mel de abelha, outro produto típico e muito valorizado pelos consumidores, foi igualmente apreendido no decorrer da ação. Os vendedores alegam que estes produtos são resultado de produção local, artesanal e em pequena escala, sendo vendidos diretamente ao consumidor, como acontece há décadas no mercado de Santana.

A decisão de proibir a venda do pão tradicional gerou particular controvérsia. O pão caseiro de Santana é amplamente reconhecido como uma referência gastronómica do concelho, sendo muito procurado tanto por residentes como por turistas. Para muitos visitantes, a passagem pelo mercado agrícola inclui, quase obrigatoriamente, a compra deste pão, conhecido pelo seu sabor, método tradicional de confeção e ligação à identidade cultural local.

Produtores e vendedores manifestaram preocupação com o impacto da medida, alertando que a proibição poderá afetar diretamente o rendimento de várias famílias que dependem da venda destes produtos. Além disso, defendem que o pão caseiro representa não apenas um bem alimentar, mas também um património cultural imaterial de Santana, transmitido de geração em geração.

A situação reacende o debate sobre o equilíbrio entre o cumprimento das normas legais e sanitárias e a preservação das tradições locais e da economia de pequena escala. Muitos defendem que deveria existir um enquadramento específico que permitisse a continuidade da venda destes produtos tradicionais, salvaguardando simultaneamente a segurança alimentar.

Fonte: RTP-Madeira

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