É uma imagem que está a chocar Portugal, numa altura em que a procura pelos serviços de urgência tem vindo a aumentar e a capacidade de resposta do sistema de saúde permanece sob forte pressão.
Uma carta aberta, divulgada nas redes sociais, denuncia a alegada falta de macas nas urgências do Centro Hospitalar de Coimbra, situação que terá obrigado uma doente oncológica em fase terminal a permanecer deitada no chão enquanto aguardava assistência médica.
O relato foi feito pelo filho da doente, que descreve os acontecimentos ocorridos no dia 8 de janeiro de 2026. Segundo o testemunho, a mulher sofre de cancro generalizado na zona abdominal, encontra-se em tratamento com quimioterapia, vive com dores constantes e apresenta mobilidade muito reduzida, não conseguindo caminhar sozinha nem permanecer sentada por longos períodos.
De acordo com a carta, perante o agravamento das dores, a família tentou inicialmente contactar a linha Saúde 24, sem sucesso. Foi depois acionado o número de emergência 112, mas, cerca de vinte minutos mais tarde, a família terá sido informada de que não havia ambulâncias disponíveis, sendo indicado um tempo de espera indeterminado.
Sem alternativa, a doente foi transportada para o hospital num veículo particular. À chegada às urgências, já deitada no banco traseiro do carro por não conseguir sentar-se, a família refere que foi informada da inexistência de macas disponíveis. A utilização de uma cadeira de rodas terá sido sugerida, mas a doente não teria condições físicas para a utilizar.
Segundo o testemunho, foram os próprios familiares que transportaram a mulher para o interior do hospital. Sem resposta imediata e perante a intensidade das dores, a doente acabou por ser colocada no chão, sobre uma manta levada pela família. O momento foi registado em imagem.
Ainda de acordo com o relato, só após a perceção de que a situação estava a ser documentada é que foram desencadeados os procedimentos clínicos adequados. A doente recebeu morfina, soro e realizou exames médicos.
“O que faltou foi humanidade”, escreve o filho, sublinhando que os meios existiam, mas não foram acionados atempadamente. O autor da carta enquadra o episódio num contexto mais amplo de falhas no sistema de emergência médica, recordando que, no mesmo período, se registaram mortes em Portugal associadas à espera por ambulância.
A carta termina com um apelo, frisando que o relato não é dirigido contra os profissionais de saúde, mas contra um sistema que permite que uma doente oncológica terminal seja deixada no chão de um hospital. “Hoje foi a minha mãe. Amanhã pode ser qualquer um de nós”, conclui.







