De acordo com a acusação do Ministério Público, os arguidos gravaram algumas das agressões com os próprios telemóveis. Num dos episódios mais chocantes, uma mulher detida foi imobilizada de forma humilhante, num ato descrito como uma “crucificação”, enquanto era filmada. Em outros casos, as vítimas foram alvo de espancamentos, abusos de poder e, segundo a acusação, crimes de tortura e violação.
Entre os lesados encontra-se um cidadão cabo-verdiano, detido por estar na posse de uma faca com cerca de 12 centímetros de lâmina. Já sob custódia policial, terá sido agredido com chapadas, murros e socos. A faca apreendida foi alegadamente usada por um dos agentes para cortar as rastas do cabelo do detido, que acabaram por ser deitadas ao lixo. Essas agressões também foram registadas em vídeo, com um dos polícias a filmar a cena num contexto descrito pelos investigadores como de diversão.
Os dois agentes foram detidos em julho e permanecem desde então em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora. A investigação teve origem numa denúncia interna, apresentada pela própria PSP, segundo informação avançada pela agência Lusa.
Paralelamente ao processo criminal, a Inspeção-Geral da Administração Interna confirmou a abertura de um procedimento administrativo para apurar responsabilidades disciplinares. O caso continua sob investigação e promete manter-se no centro do debate público, pela gravidade dos factos e pelo abalo que provoca na confiança nas forças de segurança.
De acordo com a RTP-Madeira um dos polícias acusados de tortura e violação é natural do Porto Santo.







