O Funchal é, há vários anos, uma cidade que acolhe pessoas em situação de sem-abrigo, muitas delas residentes de longa data na Região e acompanhadas por instituições de apoio social. A mendicidade associada a estas situações resulta, na maioria dos casos, de contextos de vulnerabilidade extrema, exclusão social, doença ou rutura familiar.
No entanto, nos últimos tempos, têm sido observados na baixa da cidade e em zonas de maior afluência turística alguns casos de mendicidade que levantam dúvidas. Alegadamente, tratam-se de cidadãos estrangeiros, oriundos de países do Leste europeu, que se apresentam sentados no chão, acompanhados por documentos em língua estrangeira — frequentemente identificados como declarações médicas — e com diversos medicamentos cuidadosamente dispostos sobre folhas de papel.
Segundo relatos recolhidos no local, estes indivíduos exibem os papéis como prova de doença grave ou incapacidade, solicitando ajuda monetária aos transeuntes. Alegadamente, a repetição do mesmo cenário, a semelhança dos documentos e a organização dos objetos expostos têm suscitado desconfiança entre residentes e comerciantes da zona.
As autoridades e entidades sociais contactadas sublinham que qualquer avaliação deve ser feita com prudência. Nem todas as situações são iguais e a condição de estrangeiro, por si só, não invalida a possibilidade de carência real. Ainda assim, alegadamente, existem indícios de práticas organizadas de mendicidade que exploram a boa-fé de quem passa.
Este fenómeno coloca um desafio acrescido à cidade: distinguir a necessidade genuína de eventuais esquemas que instrumentalizam a compaixão pública. Ao mesmo tempo, levanta questões sobre fiscalização, apoio social e informação aos cidadãos.
A reflexão impõe-se. A solidariedade continua a ser um valor central numa cidade aberta como o Funchal, mas deve caminhar lado a lado com mecanismos que garantam transparência, proteção dos mais vulneráveis e prevenção de situações que, alegadamente, possam desvirtuar a ajuda destinada a quem dela realmente precisa.








