Na madrugada de 29 de outubro de 1993, o Funchal foi atingido por uma das mais devastadoras tempestades da sua história recente. A precipitação intensa, registada entre a noite de 28 de outubro e a manhã do dia seguinte, provocou cheias repentinas e enxurradas que transformaram as principais ribeiras da cidade em autênticas torrentes.
O caudal das ribeiras aumentou de forma abrupta, provocando o seu transbordo em vários pontos. Grandes quantidades de lama, pedras, troncos e detritos invadiram as ruas da baixa do Funchal, causando elevados prejuízos em habitações, estabelecimentos comerciais, viaturas e infraestruturas públicas.
O balanço foi trágico. A tempestade provocou vítimas mortais, vários desaparecidos, cerca de 30 feridos e aproximadamente 200 desalojados, obrigando muitas famílias a abandonar as suas casas. Estima-se ainda que cerca de 200 viaturas tenham sido arrastadas pela força das águas.
As operações de busca e socorro mobilizaram bombeiros, forças de segurança, militares e numerosos voluntários. Apesar dos esforços desenvolvidos, algumas das pessoas desaparecidas nunca chegaram a ser encontradas, tornando esta uma das páginas mais dolorosas da história recente da Madeira.
A dimensão da catástrofe levou à realização de importantes intervenções nas ribeiras do Funchal e ao reforço das medidas de proteção civil e de prevenção do risco de cheias, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade da cidade perante fenómenos meteorológicos extremos.
Mais de três décadas depois, a tempestade de 29 de outubro de 1993 permanece viva na memória dos madeirenses como um dos episódios naturais mais marcantes do século XX na Região Autónoma da Madeira.
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