Os portugueses condenados por tráfico de droga na Indonésia aguardam há quase dois anos por extradição para Portugal
Os portugueses Fernando Sousa e Rui Viana, condenados por tráfico de droga na Indonésia, continuam à espera que seja desencadeado o processo de transferência para Portugal, quase dois anos após as respetivas condenações. Segundo a SIC, ambos mantêm a esperança de cumprir o restante da pena em território nacional.
Os dois homens foram detidos em março de 2024, depois de as autoridades indonésias terem apreendido quase três quilos de cocaína líquida escondida em frascos de champô. O caso culminou, em outubro de 2024, com a condenação do madeirense Rui Viana a 13 anos e meio de prisão e de Fernando Sousa a 20 anos de prisão, ficando ambos afastados da pena de morte, inicialmente receada. Além das penas de prisão, foram ainda condenados ao pagamento de uma multa de cerca de 60 mil euros, sob pena de cumprirem mais um ano de prisão, avançou a SIC na altura.
De acordo com a investigação das autoridades indonésias, Rui Viana, natural da Madeira, foi identificado como o alegado “mensageiro”, tendo sido detido após transportar a droga desde Lisboa até à Indonésia, onde deveria entregá-la a Fernando Sousa, num encontro em Bali que já estava a ser monitorizado pela polícia.
Atualmente, os dois portugueses encontram-se detidos na prisão de Tangerang, na província de Banten, para onde foram transferidos no início deste ano.
Em declarações à SIC, Fernando Sousa revelou que continua a aguardar uma resposta das autoridades portuguesas relativamente ao pedido formal de extradição. Segundo o recluso, há precisamente um ano, a 30 de julho, realizou-se uma reunião entre o embaixador de Portugal e o equivalente ao ministro da Justiça da Indonésia.
Fernando afirma que, nessa reunião, o responsável indonésio não colocou obstáculos à transferência dos dois portugueses, indicando apenas que o processo teria de ser solicitado oficialmente pelo Governo português. Contudo, garante que, passado um ano, esse pedido continua por formalizar.
A SIC questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o estado do processo, mas não obteve qualquer resposta até ao momento.
Enquanto aguarda uma decisão, Fernando Sousa diz ocupar os dias com exercício físico, escrita e leitura. “Dediquei-me a exercitar e a fazer exercício, vou ao ginásio, faço a minha sessão de uma ou duas horas, depois volto para a cela, tento apanhar sol e depois fico na cela, fico a escrever”, contou à SIC.
Entretanto, escreveu um livro onde apresenta a sua versão dos acontecimentos e continua a afirmar-se inocente.
Quase dois anos após a condenação, Fernando Sousa e Rui Viana continuam a aguardar que Portugal formalize o pedido de transferência, na expectativa de poderem cumprir o restante das penas em estabelecimentos prisionais portugueses.
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