O concelho da Ribeira Brava tem as suas origens no século XV, período em que se iniciou o povoamento da costa sul da Madeira. É o concelho mais recente da ilha, tendo sido criado oficialmente a 6 de maio de 1914, por desanexação dos concelhos da Ponta do Sol e de Câmara de Lobos. A sua criação deveu-se, em grande parte, ao empenho do Visconde de Ribeira Brava, Francisco Correia Herédia, figura determinante no desenvolvimento económico, social e urbano da vila.
Durante a sua ação destacaram-se diversas obras públicas, como o alargamento de ruas, a construção de equipamentos culturais e a recuperação do Forte de São Bento, contribuindo para a modernização da então vila.
Graças à sua localização estratégica, a Ribeira Brava assume hoje um papel fundamental na rede viária da Madeira. A vila é um importante ponto de ligação entre o Funchal e os concelhos da costa oeste e da costa norte, beneficiando de excelentes acessibilidades através da Via Expresso.
Além da sua importância como eixo de comunicação, o concelho distingue-se pelas paisagens montanhosas, pelos vales profundos, pelas levadas e pelos miradouros, que atraem cada vez mais visitantes. A agricultura, o comércio, os serviços e o turismo constituem atualmente os principais setores da economia local.
Localização: Situado na costa sul da ilha da Madeira, a cerca de 20 quilómetros do Funchal, o concelho é limitado pelos municípios de Câmara de Lobos, Ponta do Sol, São Vicente e Santana.
Área: 65,10 km²
População: 12.823 habitantes (Censos 2021)
Freguesias: Campanário, Ribeira Brava, Serra de Água e Tabua.
Festas e Romarias: A principal celebração é a Festa de São Pedro, realizada a 29 de junho, considerada uma das maiores festas populares da Madeira, reunindo animação musical, arraial, fogo de artifício e diversas manifestações religiosas.
Oragos: Santíssima Trindade, São Bento, São Brás e Nossa Senhora da Ajuda.
Feriado Municipal: 29 de junho (Dia de São Pedro).
FREGUESIAS DA RIBEIRA BRAVA
Ribeira Brava
A freguesia da Ribeira Brava desenvolveu-se em torno do vale formado pela ribeira que lhe deu o nome, um dos mais férteis da costa sul da Madeira. A ribeira nasce nas zonas montanhosas do interior da ilha e percorre cerca de oito quilómetros até desaguar no oceano Atlântico, atravessando o centro da vila.
A atual vila da Ribeira Brava foi elevada a esta categoria em 1928, tornando-se o principal centro administrativo, comercial e de serviços do concelho.
Com uma área de 18,27 km², a freguesia conta com 6.290 habitantes (Censos 2021), sendo a mais populosa do município.
Entre os seus principais monumentos destaca-se a Igreja Matriz de São Bento, um dos mais antigos templos paroquiais da Madeira. A sua construção remonta ao século XVI, conservando um importante conjunto de arte sacra, talha dourada e pinturas flamengas.
Todos os anos, a 29 de junho, realiza-se a tradicional Festa de São Pedro, uma das maiores romarias da Região Autónoma da Madeira, atraindo milhares de visitantes com celebrações religiosas, arraial, animação musical e fogo de artifício.
Serra de Água
Criada em 1680, a freguesia da Serra de Água está situada num amplo vale rodeado por algumas das mais altas montanhas da Madeira, constituindo um ponto de passagem entre a costa sul e o norte da ilha.
O seu nome está associado à abundância de linhas de água e aos antigos engenhos hidráulicos que aproveitavam a força das ribeiras para moer cereais.
A natureza é um dos seus maiores atrativos, servindo de ponto de partida para diversos percursos pedestres e para o acesso ao Paul da Serra, ao Rabaçal e a outros locais emblemáticos da ilha.
Todos os anos, em janeiro, realiza-se a popular Feira da Poncha, oficialmente designada Mostra Regional da Poncha e do Mel, um evento que promove os produtos tradicionais, o artesanato, a gastronomia e a animação cultural.
Segundo os Censos 2021, a Serra de Água possui 1.082 habitantes.
Campanário
Campanário é a segunda freguesia mais populosa do concelho da Ribeira Brava e uma das mais antigas da costa sul da Madeira.
Segundo a tradição, o seu nome teve origem num ilhéu existente junto à costa que, visto do mar pelos primeiros navegadores, lembrava a forma de um campanário.
Com 4.197 habitantes (Censos 2021), a freguesia combina áreas residenciais, agrícolas e turísticas. A cultura da banana e da vinha continua a desempenhar um papel importante na economia local, juntamente com o comércio, os serviços e a pequena hotelaria.
Entre os seus locais mais emblemáticos encontra-se o Calhau da Lapa, uma pequena fajã acessível por vereda ou por mar, conhecida pelas antigas casas escavadas na rocha e pela tranquilidade da sua enseada. O local está atualmente interdito por questões de segurança.
Durante séculos, Campanário destacou-se pela produção de cereais, sobretudo trigo e centeio, que chegaram a ser exportados para o Norte de África. Atualmente, a melhoria das acessibilidades, proporcionada pela Via Expresso, permite chegar ao Funchal em poucos minutos, reforçando a ligação da freguesia aos principais centros económicos da ilha.
Historicamente, Campanário integrou inicialmente o concelho do Funchal. Em 1835 passou para o concelho de Câmara de Lobos e, com a criação do concelho da Ribeira Brava, em 1914, passou a integrar definitivamente este município.
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