O Funchal voltou a afirmar a força das suas tradições com a realização da emblemática procissão em honra de São Tiago Menor, que reuniu largas centenas de fiéis no coração da cidade.

A iniciativa assinala o histórico Voto a São Tiago Menor, uma promessa coletiva que atravessa séculos e continua a mobilizar a comunidade em torno da fé e da identidade madeirense.

Integrada nas celebrações do Primeiro de Maio, a tradicional “Procissão do Voto”, organizada pela Diocese do Funchal, ligou a Sé do Funchal à Igreja de Nossa Senhora do Socorro, percorrendo a histórica Rua de Santa Maria. Apesar de atualmente apresentar um trajeto mais curto, a cerimónia mantém o simbolismo original, recordando os tempos em que a procissão se estendia até à Igreja de Santa Maria Maior.

A origem desta tradição remonta ao século XVI, quando a Madeira foi devastada por surtos de peste entre 1521 e 1523, voltando a enfrentar o flagelo em 1538. Perante o desespero, autoridades civis e religiosas recorreram à intercessão de São Tiago Menor, prometendo solenemente honrá-lo caso a população fosse poupada. Segundo a tradição, as preces foram atendidas, dando origem à realização da procissão e à perpetuação deste voto até aos dias de hoje.

As celebrações iniciaram-se com a Oração de Laudes pelas 10h00, seguindo-se, meia hora depois, a saída da procissão, que voltou a contar com a presença de representantes institucionais, bombeiros, escuteiros, associações e numerosos devotos.

Um dos elementos mais distintivos desta manifestação é o uso dos chamados “Maios” — cordões com flores amarelas que muitos participantes transportam ao pescoço.

Este costume, profundamente enraizado na cultura popular, está também associado às tradicionais excursões realizadas pela ilha no dia 1 de maio, reforçando o caráter festivo e comunitário da data. Neste mesmo dia, a Igreja celebra ainda a memória litúrgica de São José Operário, padroeiro dos trabalhadores, conferindo um significado adicional à jornada.

O ponto alto decorreu na Igreja de Nossa Senhora do Socorro, com a Solene Eucaristia e a deposição das varas da vereação, momento em que foram renovados os votos de gratidão e novamente pedida a proteção de São Tiago Menor para o povo da Madeira e do Porto Santo.

Além do seu valor religioso, o evento continua a afirmar-se como um importante atrativo cultural e turístico, capaz de atrair visitantes interessados nas tradições autênticas da região.

A forte adesão popular e o ambiente vivido nas ruas do Funchal demonstram o potencial desta celebração enquanto experiência única para quem procura conhecer a alma da Madeira, conjugando fé, história e cultura num só momento.

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